Após 26 anos, Mercosul e União Europeia fecham acordo histórico

Após 26 anos, Mercosul e União Europeia fecham acordo histórico

Depois de mais de 26 anos de negociação, Mercosul e União Europeia assinaram um acordo de livre comércio que pode redesenhar a rota do comércio internacional e reposicionar o Brasil em cadeias globais de valor. O tratado envolve cerca de 780 milhões de consumidores e quase um quarto do PIB mundial.

Com a implementação, mais de 90% das tarifas de importação e exportação serão eliminadas progressivamente. Produtos brasileiros ganham acesso ampliado à Europa, principalmente os do agronegócio, alimentos processados e bens industriais, enquanto o mercado sul-americano também se abre para produtos europeus com maior valor agregado.

A Confederação Nacional da Indústria estima que, com o acordo, a participação do Brasil no comércio mundial pode saltar de 8% para 36%. Um avanço expressivo, com potencial para gerar impacto direto sobre exportações, investimentos e o posicionamento estratégico do país no cenário global.

Além disso, os efeitos sobre o PIB também são relevantes. Projeções apontam que a economia brasileira pode crescer até 0,34% a mais com a entrada em vigor do acordo, o que representa cerca de R$ 37 bilhões em valor adicional. As empresas brasileiras também poderão participar de licitações públicas nos países da União Europeia, ampliando o escopo de atuação do setor produtivo.

Mas há alertas no horizonte.

Ainda será preciso que o tratado seja ratificado por todos os parlamentos envolvidos, especialmente dentro da União Europeia, onde há resistência de países como França, Polônia e Irlanda. As críticas se concentram em temas ambientais e nos possíveis impactos à agricultura europeia diante da competitividade sul-americana.

Do lado brasileiro, o desafio é direto. O acordo abre portas, mas também aumenta a exigência. A competitividade agora vai além do preço e passa por rastreabilidade, conformidade ambiental, padrões técnicos e transparência logística. As empresas que quiserem competir nesse novo cenário precisarão repensar processos, revisar cadeias e se preparar para um mercado que já opera com outro nível de sofisticação.

O mundo está se reorganizando. E acordos como esse mostram que quem quiser permanecer relevante terá que se mover com estratégia, agilidade e visão de futuro.