A Confederação Nacional da Indústria avalia que a eventual redução da jornada de trabalho no Brasil pode provocar impacto relevante sobre a economia, com potencial de reduzir o Produto Interno Bruto em mais de R$ 76 bilhões. O posicionamento parte de estudo feito pela entidade, que analisa os efeitos da medida sob a ótica da produtividade e da estrutura de custos das empresas.
Segundo a CNI, a diminuição da jornada, sem redução proporcional de salários, eleva o custo do trabalho por hora, criando um descompasso entre remuneração e produtividade. Na leitura da entidade, esse aumento de custo tende a afetar diretamente a capacidade produtiva das empresas, especialmente em setores que dependem de maior intensidade de mão de obra.
O estudo indica que a redução das horas trabalhadas pode resultar em menor volume de produção na economia, o que explicaria a estimativa de impacto negativo sobre o PIB. A entidade destaca que esse efeito não se limita ao curto prazo, podendo comprometer o crescimento econômico e a competitividade da indústria brasileira.
A CNI também aponta que o aumento do custo do trabalho pode levar empresas a reverem estratégias operacionais, incluindo ajustes na contratação de mão de obra, reorganização de turnos e possível redução de investimentos. De acordo com a entidade, esses movimentos podem afetar a geração de empregos e a dinâmica do mercado de trabalho.
Outro ponto destacado é o efeito sobre a competitividade internacional. Na avaliação da confederação, o aumento do custo produtivo interno pode reduzir a capacidade das empresas brasileiras de competir com mercados que mantêm estruturas de trabalho mais flexíveis ou custos menores.
A entidade sustenta que mudanças na jornada de trabalho devem considerar os impactos econômicos e produtivos de forma mais ampla, especialmente em um cenário em que a indústria já enfrenta desafios relacionados a custo, eficiência e competitividade.
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